Nós, organizações, cidadãos, cidadãs, preocupados com a conservação da qualidade ambiental e a qualidade de vida urbana, nos unimos para reivindicar maior cuidado, manutenção preventiva respeitosa e valorização da vida das árvores e de todos seres humanos e não humanos que dependem da sua existência nos centros urbanos como eixo estruturante de investimento e política pública colaborativa, participativa e inclusiva em todas as cidades brasileiras. É essencial realizar plantios de espécies nativas de cada região, além de bem conduzir seu manejo, distribuídas de forma justa e igualitária em todos bairros e regiões das cidades, diminuindo as desigualdades e racismo ambiental, promovendo maior justiça climática e de saúde. E reforçamos e reivindicamos que seja dada especial atenção protetiva e de conservação quanto às árvores adultas antigas, maciços arbóreos, corredores ecológicos e áreas de preservação permanente (APPs) existentes, essenciais para a manutenção da qualidade de vida, do bem estar, da saúde humana e de todos os seres vivos, inclusive frente aos eventos climáticos extremos já continuamente vivenciados.
Considerando que as Árvores:
- refrescam e umidificam o ambiente;
- melhoram a qualidade do ar, diminuem os impactos de poluentes particulados e compensam a emissão dos gases de efeito estufa;
- diminuem a poluição sonora que impacta severamente a saúde mental da população e da fauna silvestre;
- reduzem o impacto de enchentes ao absorver, em suas copas e no terreno drenante junto de suas raízes, grande volume de água das chuvas e tempestades, reduzindo enchentes e alagamentos;
- servem de abrigo para inúmeras espécies de flora e fauna silvestre;
- proporcionam bem-estar e qualidade de vida para toda população que tem acesso a ambientes arborizados com melhoria da saúde mental, social e física;
- embelezam a paisagem e deixam as pessoas mais felizes;
- reduzem as ilhas de calor na malha urbana e a consequente redução de problemas de saúde e até mortes da população;
- melhoram a caminhabilidade urbana e estimulam o uso da mobilidade ativa (a pé e por bicicleta);
- possuem valor patrimonial cultural material e imaterial e de qualidade de vida, por meio de vínculo com a população e registro histórico, etnobotânico de nossa biodiversidade, e multiculturalismo.
Por estes motivos é inadmissível que as árvores passem por processos de degradação de sua saúde, integridade física e de vida, especialmente quando, em seu manejo e cuidados:
- as árvores sofrem injúrias, podas e supressão conduzidas de maneira inadequada e que prejudicam a saúde e condição de vida das mesmas – e também dos ecossistemas locais que dependem de suas vidas – gerando desequilíbrio, abertura de feridas indiscriminadas, que possibilitam a ocorrência de fungos e cupins xilófagos, descaracterização da arquitetura original da copa e identidade das espécies arbóreas;
- se realizam supressões vegetais questionáveis, autorizadas ou sem justificativa adequada, em detrimento à priorização da vida, da qualidade ambiental e da conservação dos ecossistemas, sem levar em conta o impacto ambiental, social e histórico da perda de cada um dos indivíduos arbóreos com os quais compartilhamos e convivemos diariamente em nossas ruas, bairros e cidades;
- são realizadas a compactação e a impermeabilização do solo, dificultando a infiltração de água, a nutrição das raízes das árvores, o que agrava problemas de enchentes;
- não tornam a gestão do manejo arbóreo das cidades transparente, com indicadores de saúde acessíveis em forma de inventário com geolocalização em tempo real, aberto à consulta e participação da população;
- compensações com plantio de novas mudas por supressão de árvores adultas são subdimensionadas e insuficientes. Uma árvore DAP (diâmetro na altura do peito) 30 cm, equivale a 200 mudas DAP 3 cm – tamanho médio da muda jovem;
- negligenciam o investimento e a urgência para o enterramento de fios de transmissão de energia e serviços cabeados nas cidades;
- não se desenvolvem políticas públicas efetivas de conservação, manutenção e cuidado, deixando o patrimônio arbóreo vulnerável a danos, degradação e remoção inadequada.
Desta forma solicitamos aos gestores públicos, responsáveis pela gestão intersetorial das árvores das cidades, que:
- criem modelos de boas práticas, respeito e convivência harmoniosa com o patrimônio ambiental das cidades a partir de uma perspectiva de que cada árvore adulta salva vidas – especialmente em situação de emergência climática e demanda de melhor saúde e qualidade de vida nas áreas urbanas e periurbanas;
- fortaleçam as ações comunitárias locais para plantio, cuidado e conservação das árvores e áreas verdes por meio de processos inclusivos, educativos e participativos – inclusive por meio de financiamento simplificado a partir de fundos para o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável;
- invistam e criem mecanismos de fomento a projetos de plantio de espécies preferencialmente nativas em locais adequados, por toda a cidade de forma igualitária promovendo justiça climática para populações vulnerabilizadas social e ambientalmente, buscando atingir índices mínimos de distribuição recomendada por habitante (12m² de área de copa de árvore por habitante – aproximadamente 3 copas de árvores grandes por habitante);
- criem ferramentas de incentivo financeiro e redução de impostos para quem contribui, mantém, cuida e conserva árvores segundo as diretrizes dos planos municipais de arborização urbana, do verde e do azul, dos espaços naturais ou das áreas conservadas, em suas propriedades e nas vias públicas adjacentes;
- desenvolvam processos e métodos multidisciplinares, baseados na ciência, inclusivos, transparentes e colaborativos para inventariar e monitorar continuamente a saúde e qualidade de vida das árvores das cidades, considerando também metodologias de ciência cidadã (ou ciência e informação pelos/as cidadãos/ãs);
- exijam das equipes de manutenção, poda e supressão de árvores uma capacitação adequada e experiência comprovada, sempre que possível por meio de selos de qualidade e certificação que comprove capacidade técnica dos profissionais, além de premissa de respeito aos valores para salvar vidas;
- estipulem um valor maior de remuneração – em comparação com os valores pagos para poda e supressão – para cada árvore cuidada, salva, tratada e que tenha sua condição de vida aprimorada, a partir do trabalho realizado pelas equipes terceirizadas e dedicadas ao trabalho com as árvores urbanas;
- criem, testem e implementem protocolos de manejo de fauna silvestre e flora epífita das árvores das cidades considerando suas presenças até depois de quedas das árvores que possam vir acontecer;
- aumentem o orçamento e incluam no plano de metas o cuidado e aumento da biodiversidade nativa da região junto das árvores adultas, históricas, maciços arbóreos, áreas de preservação permanente (APPs), parques e florestas urbanas, corredores ecológicos e parques lineares e demais áreas naturais, verdes e azuis, protegidas e conservadas;
- incluir nos Planos Diretores de Ordenamento Urbano e/ou similares, capítulo específico sobre arborização, com o mesmo destaque e nível de importância daqueles tradicionalmente conhecidos e explorados;
- priorizem a preservação dos remanescentes naturais nas cidades e utilizem áreas degradadas e de baixa função ecológica para novos empreendimentos;
- estabeleçam diálogo e consulta periódica contínua, com os conselhos ambientais das cidades, considerando o poder deliberativo dos mesmos, e ampliem as oportunidades e estratégias de participação ampla da população incluindo diversidade de representações desde a primeira infância, até idades mais avançadas, além de equidade socioeconômica, de gênero e raça, em todas as condições;
- estabeleçam comitês intersetoriais deliberativos com agenda prática presencial para monitoramento e fiscalização dos trabalhos realizados em relação a arborização urbana e áreas verdes e azuis das cidades;
- ampliem a área de avaliação e incluam a perspectiva territorial, de vizinhança e de bacia hidrográfica nos estudos de impacto ambiental e de vizinhança para todas as obras da cidade, levando em consideração as alterações nos lençois freáticos e o desvio de águas que garantem a vida de árvores antigas estabelecidas nas cidades – prefiram, incentivem e valorizem projetos e obras que não impactam o lençol freático, como por exemplo prédios com poucos andares e sem subsolo;
- criem e facilitem mecanismos simples e acessíveis para toda população, desde a primeira infância, para o efetivo tombamento e valorização das árvores a partir das experiências humanas de vínculo, memória e histórico criando estratégias para amplificação desse patrimônio de forma a agregar oportunidades nas áreas de cultura, turismo, desenvolvimento econômico, saúde, infraestrutura, clima e tantas outras visões intersetoriais beneficiadas a partir da existência plena das árvores.
- promovam soluções de baixo custo e eficácia comprovada para estimular o intercâmbio de sementes, o cultivo de mudas e seu plantio a partir de dinâmicas cidadãs e participativas, aptas a incrementarem a diversidade de espécies de árvores e o alcance das iniciativas de arborização urbana e periurbana a partir do apoio das prefeituras à criação e manutenção de viveiros comunitários, onde o acesso a mudas de árvores para a população seja gratuito e tratado como um direito do cidadão e da natureza.
- façam valer o “Espaço Árvore”, espaço destinado à arborização de calçadas, logradouros e áreas públicas, de acordo com o Programa Município VerdeAzul (PMVA);
- reconhecer, valorizar e implementar as sabedorias e cuidados ancestrais, especialmente indígenas e quilombolas, para o cuidado de árvores e áreas verdes, inclusive criando protocolos de fitorremediação e afins, para aplicação pela prefeitura e concessionárias.
Por fim, é urgente investir em soluções para tornar as cidades mais amigáveis para as árvores, fauna e ecossistema autossustentável com o qual aprendemos e dependemos totalmente. Isso significa:
- aumentar a permeabilidade do solo, para as raízes absorverem água de maneira adequada e crescerem livremente e saudáveis;
- incorporar em jardins, canteiros e áreas naturais de baixa manutenção e nativos que aumentem a qualidade nutricional do solo;
- planejar e executar estratégias para o manejo da fauna silvestre associada às árvores urbanas, assegurando que as espécies nativas tenham espaços de qualidade ambiental e seguros para sobreviver nos ambientes urbanos;
- implementar parques lineares e corredores ecológicos, conectando fragmentos florestais, parques e praças promovendo a segurança gênica da biodiversidade em meio à cidade;
- criar mecanismos que facilitem a implementação de jardins agroflorestais associados à hortas urbanas, jardins fitoterápicos, espaços de saúde-educação-cultura baseados na natureza, ampliando o acesso a alimentos frescos e promovendo segurança alimentar e resiliência integral da população.
Convidamos todas as pessoas e organizações a assumir esse compromisso coletivo com a preservação das árvores urbanas, buscando uma política pública que apoie suas vidas e criem melhor condição para que elas continuem a exercer seu papel vital em nossas vidas.
Você pode se unir a esta causa
compartilhe com o máximo de pessoas possível!
Já assinam:
ORGANIZAÇÕES
- Instituto Árvores Vivas para Conservação e Cultura Ambiental
- Corredor Ecológico do Butantã
- Instituto Amigos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
- Coletivo Pedal Verde
- Instituto Brasileiro de Conservação da Natureza – IBRACON
- Caminhantes do Caparaó
- Grupo de Voluntários da Trilha Brigadeiro Caparaó
- Instituto Jaguarapira
- Grupo de Pesquisa A.T.A. – Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)
- Fundação Esquel Brasil
- Grupo de Pesquisa sobre Conservação Colaborativa e Áreas Protegidas e Conservadas (Geccap; formalizado junto ao CNPq)
- Ciclocidade – Associação de Ciclistas Urbanos da Cidade de São Paulo
- Escola Comunitária – Integração Escola e Comunidade
- Instituto Democracia e Sustentabilidade
- Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo
- Instituto MIRA-SERRA
- Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES
- Instituto Guaicuy
- Associação de Defesa Etnoambiental – Kanindé
- Fundação Pró Natureza – Funatura
- Grupo de Pesquisa Observatório de Áreas Protegidas (OBSERVA/UFSC)
- ETEC DE CUBATÃO – Escola Técnica – Centro Paula Souza
- Projeto ÁRVORES que contam HISTÓRIAS
- Movimento Vamos Plantar
- Associação Catarinense de Preservação da Natureza – ACAPRENA
- Sociedade Civil Mamirauá
- ape – estudos em mobilidade
- Sementores – conexão natureza
- Grupo de Pesquisa ARBOREA Arborização, Recursos Naturais e Sustentabilidade (ARBOREA; certificado junto ao CNPq)
- Associação Preserva Serrinha – DF
- Instituto Técnico Água Segura – ITAS
- AndaCIDADE – Projeto de Extensão – Depto. Arquitetura e Urbanismo UFPB @andacidade
- APAN – Associação Paraibana dos Amigos da Natureza
- Grupo Patativas Recreio – Rio de Janeiro/RJ
- Famílias pelo Clima
- APRAÇA – Associação dos Moradores e Habitantes do Ponto Turístico Praça Roosevelt e Adjascências
- Instituto Botucatu
- Gesta Gaia
- Instituto Brasileiro de Conservação da Natureza – IBRACON
- Associação dos Amigos do Parque da luz
CIDADÃS E CIDADÃOS
- Aldenir Paraguassú
- Alessandra Santos
- Allan Rodrigo Nunho dos Reis
- Amanda Guiduci Marcial
- Ana Cristina Palheta
- Ana Paula Lopes dos Santos
- André Fabiano de Castro Vicente
- Arli de Oliveira Rubim
- Augusto Luiz de Aragão Pessin
- Bruno Bomfim Moreno
- Catharina Kulakauskas Chammas
- Cecilia Polacow Herzog
- Celia Choairy de Moraes
- Clara Spallicci
- Cláudio C. Maretti
- Clovis Casemiro
- Daiane Porto
- Daniel Gomes D’Oliveira
- Débora Vendramin Otta
- Denise Alves Fungaro
- Edna Alencar da Silva
- Eleonora Zioni
- Eliana B Oliveira
- Eliane Guaraldo
- Erika Cortines
- Fernanda Eiras Rubio
- Fernanda Heinz Figueiredo
- Fernanda Império
- Gabrielle Abreu Nunes
- Gabrielle Lana Linhares
- Geraldo Varjabedian
- Giuliana Del Nero Velasco
- Helvio Nicolau Moisés
- Igor de Azevedo Silva
- Isabelle de Loys
- Jeanine dos Santos Goulart
- João de Deus Medeiros
- João Paulo Ferreira da Silva
- Jonathan Vicente dos Santos Ferreira
- Jorge Ferreira
- José Paulo Azevedo
- José Truda Palazzo Jr
- Juliana Gatti Pereira Rodrigues
- Ketleen Grala
- Luiz Octávio de Lima Pedreira
- Marcela Delgado Araujo de Castro Azevedo
- Marcia Chame
- María Cristina Cabral
- Maria Joana
- Mateus Solano
- Miguel von Behr
- Mina Regen
- Miriam Schenker
- Mirtes Luciani
- Nelzair Araújo Vianna
- Nilson Coelho
- Orlando Ferretti
- Pablo Santos Lira
- Paula Frassinete Lins Duarte
- Paula Lucero
- Paulo Eduardo Machado Neto
- Pierre-André Martin
- Raquel Dias de Aguiar Moraes Amaral
- Renata Leite
- Ricardo Finotti
- Ricardo Neres Machado
- Ronaldy Lopes Almeida Silva
- Rosalvo de Oliveira Junior
- Rossana Honorato
- Samantha Graiki Proença
- Samantha Leite Santos
- Susana da Silva
- Talita Tilieri Salvadori
- Taynara Pereira de Oliveira
- Uiara Bandineli Montedo
- Valéria Teresa Moreira de Almeida
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