Nova pesquisa mostra como a vegetação tem influência direta nas nossas células

A conexão entre a saúde humana e o meio ambiente é uma área fascinante de pesquisa, e um novo estudo destaca os benefícios diretos das áreas verdes em nossa saúde celular. Conduzido pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, o estudo analisou dados de 7.827 pessoas, explorando a relação entre espaços verdes e os telômeros – marcadores genéticos ligados ao envelhecimento celular.
Os telômeros, fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante, encontradas nas extremidades dos cromossomos. A função destas estruturas desempenham um papel crucial na proteção celular. A cada divisão celular, os telômeros encolhem um pouco, e quando ficam muito curtos, a célula morre por não poder mais se dividir.

Os telômeros são como os relógios biológicos das células, desempenhando um papel importante na determinação da idade das células e na sua capacidade de se reproduzir. Estudos indicam que altos níveis de estresse podem acelerar o encurtamento dos telômeros, um processo associado ao envelhecimento celular. Quando uma célula experimenta estresse crônico, os telômeros podem diminuir mais rapidamente, comprometendo a integridade genética e contribuindo para uma série de problemas de saúde.
O estudo da Universidade Estadual da Carolina do Norte revelou que pessoas que vivem em áreas com mais espaços verdes têm telômeros mais longos, indicando um envelhecimento celular mais lento. Portanto, os fatores ambientais, por exemplo a presença de áreas verdes, podem influenciar positivamente o comprimento dos telômeros, reforçando a importância de criar mais áreas verdes qualificadas acessíveis para toda população, uma vez que esta condição tem o potencial de promover a redução do estresse e a melhora da saúde das nossas células.
No entanto, o impacto positivo deixa de ser significativo quando são inseridos dados a respeito da poluição do ar e falta de acesso, sendo necessário avançar os estudos para detalhar a influência destas variáveis, já que fica claro, como a interação dos fatores é altamente complexa. Embora viver próximo a áreas verdes possa biologicamente rejuvenescer uma pessoa em média 2,5 anos, essa vantagem diminui quando fatores como poluição do ar e segregação socioeconômica são considerados.
O principal autor do estudo, Scott Ogletree, destaca a importância dos espaços verdes para uma comunidade, mas ressalta a importância de olhar e agir em prol de outros desafios sistêmicos como o racismo e a segregação econômica, pois são diretamente ligados aos desafios ambientais. O estudo destaca a necessidade de promover áreas verdes e também de abordar questões mais amplas de justiça ambiental e social para alcançar uma verdadeira melhoria na saúde global.

É importante considerar uma abordagem sistêmica ao pensar em qualidade de vida e longevidade, pois a complexidade de interação entre inúmeros fatores pode influenciar nossa saúde. De fato, o ambiente natural saudável e acessível promove benefícios diretos aos telômeros, mas para isso, é preciso destacar a importância de preservar e conservar o meio ambiente de forma participativa, por meio de um conjunto de ações que envolvem grande diversidade de setores e responsabilidades compartilhadas – aspecto ressaltado em pesquisa de Cláudio Maretti e colaboradores (acesse aqui) publicada na edição especial Emerging Challenges to Protected Areas Management da revista Sustentabilidade. Desta maneira, os direitos e necessidades para uma vida humana digna poderão ser melhor contemplados.
Pesquisas que investigam a complexidade das relações entre saúde e natureza, contribuem ao adicionar dados importantes ao quebra-cabeça da relação entre o meio ambiente e o bem-estar. Ao tornar acessível ambientes naturais saudáveis para as comunidades, colhe-se benefícios estéticos, fisiológicos e sociais, promotores de uma vida mais saudável e resiliente. Faz-se necessária maior atenção e orçamento para estes aspectos por parte do governo, empresas e sociedade.
Referências
S. Scott Ogletree, Jing-Huei Huang, David Reif, Lin Yang, Christopher Dunstan, Nnamdi Osakwe, Jae In Oh, J. Aaron Hipp, The relationship between greenspace exposure and telomere length in the National Health and Nutrition Examination Survey, Science of The Total Environment, Volume 905, 2023, 167452, ISSN 0048-9697, https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2023.167452.
Epel ES, Blackburn EH, Lin J, Dhabhar FS, Adler NE, Morrow JD, Cawthon RM. Accelerated telomere shortening in response to life stress. Proc Natl Acad Sci U S A. 2004 Dec 7;101(49):17312-5. doi: 10.1073/pnas.0407162101. Epub 2004 Dec 1. PMID: 15574496; PMCID: PMC534658.
Kyeezu Kim et al. Inequalities in urban greenness and epigenetic aging: Different associations by race and neighborhood socioeconomic status. Sci. Adv.9,eadf8140(2023).DOI:10.1126/sciadv.adf8140
Maretti, C.C.; Furlan, S.A.; Irving, M.d.A.; Nasri, Y.X.G.; Rodrigues, C.G.d.O.; Aydos, B.B.; Martins dos Santos, R.; Guimarães, E.; Marinelli, C.E.; Fukuda, J.C.; et al. Collaborative Conservation for Inclusive, Equitable, and Effective Systems of Protected and Conserved Areas—Insights from Brazil. Sustainability 2023, 15, 16609. https://doi.org/10.3390/su152416609
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