Novo estudo mostra a presença de nanoplástico em garrafas d’água: entenda o risco dessas partículas para nossa saúde e a do meio-ambiente

Os nanoplásticos são partículas de plástico ainda menores que o microplástico. Enquanto as partículas de microplástico são menores que 5mm, as de nanoplástico são menores do que 1 micrômetro (um milésimo de milímetro), que equivale a aproximadamente a um sétimo da espessura de um fio de cabelo.
Neste sentido, além do impacto negativo para o meio ambiente, os nanoplásticos apresentam uma ameaça maior à saúde humana que os microplásticos, dado que eles são pequenos o suficiente para penetrar nas células humanas, podendo entrar na nossa corrente sanguínea e afetar nossos órgãos. Os nanoplásticos podem, inclusive, penetrar através da placenta até o corpo do feto. Embora cientistas já suspeitassem há muito tempo da presença de nanoplásticos em garrafas de água, não havia tecnologia suficiente para identificar as nanopartículas individuais na água.

Porém, cientistas da Universidade de Columbia nos Estados Unidos e colaboradores publicaram, em janeiro de 2024, artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences no qual apresentam resultados de uma pesquisa sobre a presença de nanoplásticos na água proveniente de garrafas de plástico. Segundo o estudo, uma garrafa típica de um litro contém em média 240.000 fragmentos de plástico, sugerindo que as preocupações sobre o impacto do consumo de água engarrafada na saúde humana podem ter sido drasticamente subestimadas. Esses resultados apontam que um litro de água pode conter 100 vezes mais partículas de plástico do que estimava-se quando os estudos só podiam detectar os microplásticos.
Dentre as nanopartículas analisadas pelos pesquisadores, sete tipos de plásticos comuns foram detectados, dentre eles o Politereftalato de Etileno (PET), do qual muitas garrafas de água são feitas, e poliamida, material de filtros utilizados para purificar a água antes de engarrafa-la. Além disso, também foram descobertas diversas nanopartículas que não foram identificadas, que, caso também sejam nanoplásticos, podem significar que a presença de plástico na água é ainda maior.

Estudos anteriores já indicam que a água engarrafada apresenta uma concentração maior de microplásticos do que a água da torneira. Essas partículas, muitas vezes provenientes da quebra de plásticos maiores, podem penetrar nos solos, rios e oceanos, impactando negativamente a vida selvagem, e causar estragos nos ecossistemas aquáticos e terrestres. Sua presença é uma ameaça particularmente séria para organismos marinhos, pois podem ser ingeridos por organismos aquáticos de todos os tamanhos, desde o plâncton até os grandes animais marinhos, desencadeando uma cadeia de contaminação que afeta toda a teia alimentar.
Confira nosso texto sobre a poluição por plástico, onde aprofundamos e trazemos mais informações de como podemos melhorar esta situação, por exemplo, tendo um olhar crítico sobre as práticas de embalagem, distribuição e enfatizando a necessidade de regulamentações mais rigorosas. A conscientização pública também desempenha um papel fundamental, uma vez que os consumidores têm o poder de pressionar por mudanças significativas na indústria e adotar práticas mais sustentáveis. A discussão sobre os nanoplásticos na água engarrafada é um convite à reflexão sobre a interconexão entre nossas escolhas diárias, a responsabilidade das empresas e os impactos globais, sendo essencial e imediata a promoção de ações que visem a preservação ambiental e a proteção da saúde humana.
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