Como intervenções inspiradas pelo ambiente transformam a saúde de adolescentes vulneráveis

Em um recente artigo científico na Revista Internacional de Saúde Ambiental, pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio nos Estados Unidos, conduziram uma revisão de publicações para avaliar os impactos de intervenções baseadas na natureza na vida de jovens em situação de vulnerabilidade. Compartilhamos abaixo o resumo do artigo adaptado para português, e você pode ler o texto completo clicando aqui (artigo em inglês).

No mundo atual, onde a pressão social e os desafios emocionais muitas vezes afligem os jovens, as intervenções baseadas na natureza surgem como uma luz promissora. Um recente artigo científico analisou o impacto dessas intervenções na saúde psicológica e comportamental de adolescentes vulneráveis e jovens adultos, revelando resultados encorajadores e abrindo portas para pesquisas futuras.

As intervenções baseadas na natureza, que envolvem elementos como terapia na natureza selvagem, terapia assistida por animais, agricultura terapêutica e intervenções horticulturais, demonstram ter efeitos positivos abrangentes em diversos aspectos da saúde física, mental e cognitiva. Essas abordagens inovadoras têm sido aplicadas por diversas organizações para auxiliar adolescentes e jovens adultos que enfrentam dificuldades mentais, comportamentais, de desenvolvimento ou sociais.

Foram selecionadas publicações feitas entre Dezembro de 2018 e Julho de 2020, com participantes com idades de 10 a 24 anos. A amostra inicial de estudos incluiu mais de 5 mil referências, e após análise detalhada foram inseridos 82 estudos dentro dos critérios de elegibilidade para seguir com as avaliações de método e impacto.

Um dos destaques dessa revisão foi a terapia na natureza selvagem, que mostrou resultados positivos em áreas como autoestima, interação social e frequência escolar. Tanto estudos quantitativos quanto qualitativos confirmaram esses resultados, ressaltando que os benefícios positivos persistiram após o tratamento. As intervenções assistidas por animais também se destacaram, associando-se a melhorias na autoimagem, autoestima e autoeficácia, bem como a reduções nos distúrbios de saúde mental e a um melhor funcionamento geral e cognição social.

A agricultura terapêutica, por sua vez, demonstrou ser benéfica para o desenvolvimento pessoal e a qualidade de vida, contribuindo positivamente para a saúde mental. Já as intervenções horticulturais apresentaram resultados variados, com algumas pesquisas indicando associações positivas de curto prazo com comportamentos alimentares e ambientais, além de habilidades de comunicação e tomada de decisão a longo prazo.

A revisão reforça o valor das intervenções baseadas na natureza para jovens vulneráveis, evidenciando resultados positivos em medidas psicológicas, comportamentais e sociais para os quatro tipos de abordagens analisados. Além disso, a constatação de que esses resultados positivos se mantêm após o tratamento oferece uma perspectiva encorajadora.

Olhando para o futuro, é crucial que as pesquisas aprofundem o design empírico dos estudos, considerem práticas exemplares e intervenções que levem em conta diferentes perspectivas culturais. Também é importante analisar subgrupos de participantes, como faixa etária, gênero e diagnóstico, bem como investigar resultados-chave das intervenções e planos de acompanhamento pós-tratamento.

Em um mundo onde o bem-estar dos jovens é fundamental, as intervenções baseadas na natureza emergem como um recurso valioso, capaz de oferecer suporte e melhorar a saúde mental e comportamental daqueles que mais precisam. Ao abraçarmos essa abordagem holística, podemos construir um futuro mais saudável e resiliente para as gerações vindouras.

Registro de atividade do Instituto Árvores Vivas na ação de transformação da
Casa do Adolescente de Heliópolis.

Artigo original

Tracey A. Overbey, Florian Diekmann & Kristi S. Lekies (2023) Nature-based interventions for vulnerable youth: a scoping review, International Journal of Environmental Health Research, 33:1, 15-53, DOI: 10.1080/09603123.2021.1998390

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