Em 2023 a Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou o Tratado do Alto Mar, um acordo histórico com o objetivo de proteger a vida marinha em áreas de mar aberto que não são controladas por nenhum país, que atualmente representam mais de dois terços dos oceanos da Terra. O tratado propõe que 30% dessas áreas deixem de ser de comum acesso para todos, tornando-se áreas protegidas.
O texto do tratado levou anos para ser finalizado – estava em negociação desde 2004 – e foi apresentado para aprovação em Março de 2023. Em 19 de junho, o texto foi adotado pela ONU e agora passa por um período de 2 anos, a partir de 20 de setembro, para que os Estados-membros possam assinar o documento. São necessários 60 países signatários, ratificando o tratado, para que o acordo entre em vigor.
Segundo o Secretário Geral da ONU, António Guterrez, a ratificação do tratado “é crucial para enfrentar a tripla crise global das alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição”. Este acordo é vital para cumprir vários objetivos relacionados à Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 e o compromisso 30×30 de proteger um terço da biodiversidade terrestre e marinha até 2030.

Neste sentido, uma matéria do jornal BBC News Brasil publicada no último 06 de agosto propõe uma reflexão sobre as possíveis consequências para o oceano caso a humanidade hipoteticamente parasse de pescar completamente. Esse exercício de reflexão levanta possibilidades para a recuperação e preservação da vida marinha.
Uma das consequências mais previsíveis é o aumento tanto na população quanto no tamanho dos peixes, sendo que as espécies atualmente mais procuradas pela pesca seriam as que teriam a recuperação mais rápida de suas populações. Outros dentre os primeiros beneficiados seriam os peixes mais velhos, de maior interesse para as atividades pesqueiras, que conseguiriam sobreviver viabilizando a reprodução, assim contribuindo para o aumento de suas populações.
Outra consequência iminente do fim total da pesca seria uma diminuição drástica na quantidade da poluição de plástico nos oceanos. Por mais que esse tipo de poluição nos oceanos não acabasse por completo, a matéria indica que atualmente a imensa maioria dos plásticos grandes encontrados nos oceanos vêm da atividade pesqueira. Os plásticos nos oceanos são responsáveis pelo falecimento anual de milhões de animais marinhos que morrem de fome, afogados, enredados e envenenados pela poluição marítima.
É evidente que algumas consequências das ações humanas já são irreversíveis, como a perda de habitats, a extinção de determinadas espécies e a poluição por plástico que já foi feita nos oceanos. Mas, o que a matéria busca evidenciar, é a possibilidade que ainda existe de reequilíbrio do ecossistema oceânico. Por mais que atualmente seja impossível parar completamente com todas as atividades pesqueiras do mundo, diversas soluções sustentáveis já são possíveis, como a aquacultura e a restrição de pesca em áreas de mar aberto não controladas por nenhum país, como propõe o novo tratado da ONU.

Práticas sustentáveis para a preservação dos oceanos podem causar impactos positivos não apenas na produtividade dos oceanos e na vida marinha, mas também na vida de animais terrestres e da própria humanidade.
Leia a matéria da BBC News Brasil na íntegra aqui.
Leia a matéria sobre o tratado das Nações Unidas no Brasil.
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