Desafios da Mudança Climática para as Árvores da Amazônia

Ciência na floresta: uma ação em busca do equilíbrio climático

No último dia 07 de setembro um artigo científico foi publicado na revista britânica Nature apresentando os resultados do trabalho de um grupo internacional de pesquisadores sobre os efeitos e os riscos do aquecimento global às florestas tropicais. O estudo contou com a participação de pesquisadores da USP e apresenta dados novos sobre os impactos das altas temperaturas nas árvores da Amazônia.

Uma matéria publicada no Jornal USP no dia 27 de setembro deste ano explica que a pesquisa buscou entender os efeitos das mudanças climáticas na floresta tropical, especialmente através do aumento da temperatura do ar. Para isso, o padrão médio da temperatura das copas das árvores foi medido uma vez por dia; uma progressão de dados dos últimos 20 anos de florestas tropicais no Brasil, África e Ásia foi criada e escalas de temperatura da superfície das folhas, das copas das árvores e do ar foram analisadas.

Como resultado a pesquisa apontou uma temperatura média de 34ºC, indicando valores acima da temperatura ótima calculada para o processo de fotossíntese, que seria entre 24ºC e 28ºC. As medições feitas nas copas das árvores indicaram valores de até 40ºC, já muito próximos do que considera-se como temperatura crítica, entre 44ºC e 50ºC, chamada de ponto de não retorno por serem temperaturas que podem causar danos irreversíveis às folhas das árvores, que são parte essencial do processo de fotossíntese, que, por sua vez, contribui para a fixação do carbono da atmosfera terrestre.

A partir dos 28ºC a estrutura da folha responsável pelas trocas gasosas com o ambiente começa a se fechar, reduzindo essas trocas e contribuindo ainda mais para o aumento da temperatura das próprias folhas; além disso, a alta temperatura também inibe a atividade das enzimas responsáveis pela fotossíntese. Ambas as perdas são danos irreversíveis e são responsáveis pelo aumento acelerado da morte das folhas nas copas das árvores.

Por fim, a pesquisa indica que esses resultados estão dentro dos cenários estipulados por órgãos internacionais responsáveis por previsões das possíveis consequências das mudanças climáticas, que levam em consideração questões como as taxas de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) e mudanças nas chuvas e temperaturas. Assim, para impedir a situação de não retorno das árvores da Amazônia, é extremamente importante pensar em ações voltadas para a defesa e manutenção do meio ambiente, como redução da emissão de GEE e preservação das matas nativas, procurando reduzir as temperaturas em todas as regiões florestais do país.

Leia a matéria do Jornal USP na íntegra aqui.

Descubra mais sobre Instituto Árvores Vivas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading